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quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Um Caminho com o Coração", de Jack Kornfield.


"À medida que deixamos que o mundo nos toque profundamente,
reconhecemos que, assim como existe a dor da nossa vida,
tambem existe a dor na vida de todos os outros.
Esse é o nascer da sábia compreensão.
A sábia compreensão vê que o sofrimento é inevitável,
que tudo o que nasce morre.


A sábia compreensão vê e aceita a vida como um todo.
Com uma sábia compreensão, permitimo-nos acolher todas as coisas,
tanto as trevas quanto a luz,
e chegamos a um sentimento de paz.
Essa não é a paz da negação ou da fuga,
mas a paz que encontramos no coração
que nada rejeitou, que toca todas as coisas com compaixão."


"Amar plenamente e viver bem
exige de nós o reconhecimento final de que não
temos nem possuimos coisa alguma - nem nossa casa,
nosso carro, nem as pessoas que amamos


nem sequer o nosso proprio corpo.
A alegria e a sabedoria espirituais não vêm através da posse
mas, sim, através da nossa capacidade de abertura,
de amor mais pleno, de mudança e liberdade na vida.
Essa não é uma lição a ser adiada.
Um grande Mestre assim explicou:
"Seu problema é que você pensa que tem tempo".
Não sabemos quanto tempo temos.
O que seria viver com o conhecimento de que este
talvez seja o nosso último
ano, a nossa última semana, o nosso último dia?
À luz dessa pergunta, podemos escolher um caminho com o coração."

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FOGÃO DE LENHA(Chitãozinho & Xororó)


Espere minha mãe estou voltando
Que falta faz pra mim um beijo seu



O orvalho da manhã cobrindo as flores

Um raio de luar que era tão meu
O sonho de grandeza, ó mãe querida
Um dia separou você e eu
Queria tanto ser alguém na vida
Apenas sou mais um que se perdeu
Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule da café em cima do fogão
Fogão de lenha, e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar
Mãe eu lembro tanto a nossa casa
As coisas que falou quando eu saí
Lembro do meu pai que ficou triste
E nunca mais cantou depois que eu parti
Hoje eu já sei, ó mãe querida
Nas lições da vida eu aprendi
O que eu vim procurar aqui distante
Eu sempre tive tudo e tudo está aí

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A ave planta, o homem destrói


A gralha azul é o principal animal disseminador da araucária uma vez que, durante outono, quando as araucárias frutificam, bandos de gralhas laboriosamente estocam os pinhões para deles se alimentar posteriormente.



Neste processo, as gralhas azuis encravam fortemente os pinhões no solo ou em troncos caídos no solo, já em processo de putrefação, ou mesmo nas partes aéreas de raízes nas mesmas condições, local propício para a formação de uma nova árvore. Como podem ver essas aves são verdadeiras plantadoras de araucária, o nosso pinheiro brasileiro.


E sendo o nosso lugar, a região serrana de Santa Catarina, o berço das araucárias, consideramos como nossa maior riqueza o fruto da araucária ou do pinheiro, o nosso pinhão.


Na chamada MATA ATLÂNTICA, particularmente nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Leste de Minas Gerais e Sao Paulo existiam imensos pinheirais do chamado "Pinheiro do Parana" - "Pinheiro brasileiro" - araucaria brasiliensis ou araucaria angustifolia.



Durante dezenas de séculos a Araucaria povoou as nossas matas.


Imagine : Tais pinheiros chegaram a atingir até 52 metros de altura. Seus troncos chegavam a medir 8,5 metros de cirunferência. Milhões de árvores no curso dos anos foram caindo, findo o seu ciclo de existencia ou atingidas por raios ou mesmo em consequencia de incendios etc. Seus troncos voltaram à terra se desintegraram completamente, exceto os "Nós", que não foram objeto de decomposição.


. Conservaram-se durante dezenas de séculos debaixo da superficie do solo e atualmente, ao arar a terra, o lavrador ainda encontra "Nós". Armazenando-os em montículos a fim de obter uma receita adicional. Vende-os para o consumo em lareiras ou carvoarias.


Os assim chamados cônes que contém os pinhões - as sementes da Araucaria, em verdade não têm forma cônica. Sao redondos como uma bola, medindo aproximadamente 25 a 30 centimetros de diâmetro. Quando maduros, caem espalhando pinhões em abundância e, além de germinarem - propagação natural da espécie, servem de alimento a inúmeros animais e são objeto de consumo também pelo homem. ( Aos indios já servia de alimento, bem antes do descobrimento do Brasil )


Até meados do século passado, milhares de serrarias exploravam a madeira de pinheiro do Parana, tanto para o consumo interno mas predominantemente para exportação.


Tal extração descontrolada, exauriu as reservas de Araucárias geradas durante milhares de anos tal qual ocorreu com o "Pau Brasil", logo após o descobrimento.


Hoje a Araucaria é por Lei considerada espécie em extinção. Cumpre pois reflorestar, não somente com Eucalipto, Pinus etc. ( de consumo imediato ), mas também com a propria Araucária, além da outras especies nativas em extinção, se realmente preocupados com as futuras gerações.
E para valorizá-lo e valorizar nossa região foi criada a Festa Nacional do Pinhão que já está na sua XXII edição. E vejam o símbolo ou mascote da festa: um casal de gralha azul vestido como se usa as roupas do tradicionalismo catarinense e gaucho:

Ensina-se a historia da gralha azul e sua nobre missão nas escolas.


E a gastronomia? Dá pra fazer coisas deliciosas com o pinhão:

Paçoca de pinhão: pinhão moído com carne  de porco, linguiça ou bacon. Uma delicia.

Entrevero: vários tipos de carnes, pimentão, cebola, linguiça e pinhão, tudo entreverado, um emprestando sabor ao outro.
Entrevero no dicionário: confusão entre pessoas, animais ou objetos.



Concluindo: Como pode uma ave que se diz sem inteligencia nenhuma, planta árvore que dá um fruto precioso como o pinhão, e o homem um animal racional não planta uma nova árvore no lugar daquela que derrubou?

terça-feira, 8 de junho de 2010

O idiota e a moeda - Arnaldo Jabor


Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se
divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca
inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e
ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 RÉIS
e outra menor de 2.000 RÉIS. Ele sempre escolhia a maior e menos
valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se
ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
- Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia
que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar
minha moeda".


Podem-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira : Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda : Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira : Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de
renda.


Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos
estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso
respeito.


Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem
realmente somos.


O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de
um idiota que banca o inteligente.


Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação.
Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os
outros pensam de você.


E o que os outros pensam... é problema deles.


Arnaldo Jabor.


domingo, 30 de maio de 2010

Nossa vida

A GENTE SE ACOSTUMA
Marina Colassanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.



A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.



A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.


A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.




A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.



A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.




A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.




A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.


Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.




A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.


A gente se acostuma para poupar a vida.


Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Agua





A ÁGUA DO MUNDO



de Leo Jaime.


Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.


A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.


Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.


Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.


Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia, não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.


23/03/2006